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Criação de jogos

Cores nos jogos: contraste, significado e emoção

O que a psicologia das cores pode ensinar, por que o contraste importa mais que o tom e como tornar peças coloridas legíveis para todo mundo.

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Um tabuleiro real do OutBrick com peças coloridas em um iPhone, entre Moss com seu cinto de ferramentas e Flurry com um gorro listrado
Ilustração do blog

A cor é uma das primeiras coisas que notamos em um jogo e uma das últimas em que pensamos conscientemente. Vermelho parece perigo, verde parece sinal para avançar e dourado lembra tesouro — ninguém precisa nos explicar. Designers usam cores para criar clima, indicar o que importa e, em quebra-cabeças de classificação, até apresentar as regras. Textos populares sobre psicologia das cores costumam fazer afirmações categóricas: azul acalma, vermelho anima, amarelo dá fome. A pesquisa é mais interessante e cautelosa. O que ela sustenta com mais força é menos glamouroso que uma promessa de humor: contraste, consistência e nunca depender só da cor.

O que a psicologia das cores pode — e não pode — dizer

A revisão de Andrew Elliot e Markus Maier na Annual Review of Psychology ajuda a corrigir ideias simplistas sobre psicologia das cores. Ela mostra que as cores podem transmitir significados e influenciar sentimentos, pensamentos e comportamentos, com boa parte das evidências vindo de situações de desempenho e atração. Também alerta que a área ainda está no começo: trabalhos anteriores tiveram problemas metodológicos, e precisamos estudar melhor os limites desses efeitos e sua aplicação no mundo real antes de fazer recomendações fortes.

Para quem cria jogos, isso pede humildade. Afirmações populares sobre cores específicas muitas vezes vão além das evidências; poucas pesquisas foram feitas enquanto as pessoas jogavam de verdade. Cor pode ser uma ferramenta importante, mas frases como “este tom de azul reduz o estresse” devem ser hipóteses a testar com os próprios jogadores, não regras.

Fontes1Elliot, A. J., & Maier, M. A. (2014). Color psychology: Effects of perceiving color on psychological functioning in humans. Annual Review of Psychology, 65, 95–120.

Significados compartilhados, com diferenças locais

Os significados das cores são universais ou aprendidos? Domicele Jonauskaite e uma equipe internacional pediram a 4.598 pessoas em 30 países, falantes de 22 idiomas, que relacionassem 20 emoções a 12 termos de cor. Os padrões foram muito parecidos entre países, com semelhança média de r = 0,88. Ainda assim, o país de origem ajudava a prever as associações individuais, e elas eram mais semelhantes entre países próximos em língua ou geografia.

Isso é uma boa notícia para jogos com público internacional: muitos significados gerais viajam bem. As diferenças locais são um motivo para combinar pistas importantes com forma, texto ou posição, em vez de confiar que a cor terá o mesmo sentido para todo mundo.

Os jogos também criam sua própria linguagem de cores. A pessoa aprende que uma cor representa saúde, dano ou uma porta trancada; depois, passa a esperar esse significado. Quebrar a expectativa de propósito pode surpreender, mas quebrá-la sem querer confunde. Se o vermelho significa tanto “perigo” quanto “recompensa”, o jogador precisa parar para interpretar cada ocorrência.

Fontes2Jonauskaite, D., Abu-Akel, A., Dael, N., Oberfeld, D., Abdel-Khalek, A. M., Al-Rasheed, A. S., Antonietti, J.-P., Bogushevskaya, V., Chamseddine, A., Chkonia, E., Corona, V., Fonseca-Pedrero, E., Griber, Y. A., Grimshaw, G., Hasan, A. A., Havelka, J., Hirnstein, M., Karlsson, B. S. A., Laurent, E., … Mohr, C. (2020). Universal patterns in color-emotion associations are further shaped by linguistic and geographic proximity. Psychological Science, 31(10), 1245–1260.

Cor e clima nos mundos dos jogos

Erik Geslin, Laurent Jégou e Danny Beaudoin estudaram cores dentro de jogos. Mostraram 24 imagens de videogames a 85 participantes, perguntaram que sensação cada imagem transmitia e compararam as respostas com medidas das cores. Brilho, saturação e luminosidade tiveram correlação significativa com emoções como alegria, tristeza, medo e serenidade; também importavam a variedade e o impacto visual das cores.

O estudo mediu reações a imagens paradas, não durante uma partida, e correlação não prova causa. Ainda assim, oferece a designers um vocabulário mais útil do que apenas o tom: luminosidade e saturação gerais e a variedade de cores podem contribuir para o clima tanto quanto as cores escolhidas. Os autores propõem planejar a paleta emocional do jogo, como um filme planeja a iluminação.

Fontes3Geslin, E., Jégou, L., & Beaudoin, D. (2016). How color properties can be used to elicit emotions in video games. International Journal of Computer Games Technology, 2016, 5182768.

Contraste antes do tom

Quando o objetivo é facilitar a leitura, o contraste vence. Richard Hall e Patrick Hanna compararam quatro combinações de cores para texto e fundo em páginas da web com 136 participantes. Em geral, combinações com maior taxa de contraste eram mais legíveis. A cor não alterou significativamente a memória do conteúdo, embora cores preferidas tenham recebido avaliações estéticas melhores.

Gordon Legge e colegas estudaram o contraste mais de perto. Pessoas com visão normal liam com velocidade semelhante tanto com forte contraste cromático — texto e fundo diferentes apenas no tom — quanto com forte contraste de luminância, isto é, diferença de luminosidade. Para pessoas com baixa visão, o contraste de luminância foi sempre melhor. Uma interface que diferencia peças apenas pelo tom, com luminosidade parecida, funciona para algumas pessoas e falha para outras. É por isso que as diretrizes de acessibilidade da web estabelecem taxas mínimas de contraste; a explicação da W3C sobre contraste mínimo é um bom ponto de partida.

Fontes4Hall, R. H., & Hanna, P. (2004). The impact of web page text-background colour combinations on readability, retention, aesthetics and behavioural intention. Behaviour & Information Technology, 23(3), 183–195.5Legge, G. E., Parish, D. H., Luebker, A., & Wurm, L. H. (1990). Psychophysics of reading. XI. Comparing color contrast and luminance contrast. Journal of the Optical Society of America A, 7(10), 2002–2010.

O que uma peça legível precisa

Em um quebra-cabeça de cores, a cor não é decoração: é a regra. No OutBrick, cada peça só volta para casa pela porta da sua própria cor, e três ou mais da mesma cor em linha somem; sem distinguir as cores, não dá para jogar. Por isso, símbolos para pessoas daltônicas vêm ativados por padrão: cada peça e porta têm um símbolo correspondente, então o formato complementa a cor. Explicamos essa decisão em por que a cor nunca deve ser a única pista em um quebra-cabeça, e a página de acessibilidade apresenta outros recursos, incluindo o VoiceOver.

Clima e legibilidade podem coexistir quando cada um tem seu papel. A Jornada do OutBrick atravessa 167 vilarejos feitos de tijolos, de Cherry Blossom Town a Lavender Hills; o cenário muda, enquanto as peças mantêm suas cores e símbolos. Para dicas práticas sobre como ler um tabuleiro colorido, consulte dicas para quebra-cabeças de classificação por cor. Os estudos acima também sugerem princípios úteis para qualquer jogo com peças coloridas:

  • Diferencie peças por luminosidade e por tom, para que continuem distintas com pouca luz, em uma tela danificada ou para quem tem baixa visão.
  • Dê uma função a cada cor e mantenha seu significado consistente no jogo inteiro.
  • Associe cada significado de cor a outra pista: símbolo, formato, posição ou rótulo.
  • Use saturação e brilho para criar o clima, mantendo as peças como o elemento mais nítido da tela.
  • Teste em escala de cinza. Se o tabuleiro continuar legível, as cores estão ajudando em vez de carregar toda a informação.

Fontes5Legge, G. E., Parish, D. H., Luebker, A., & Wurm, L. H. (1990). Psychophysics of reading. XI. Comparing color contrast and luminance contrast. Journal of the Optical Society of America A, 7(10), 2002–2010.3Geslin, E., Jégou, L., & Beaudoin, D. (2016). How color properties can be used to elicit emotions in video games. International Journal of Computer Games Technology, 2016, 5182768.

Perguntas e respostas

Algumas respostas úteis

As cores afetam as emoções nos jogos?

Podem influenciar emoções e comportamento, mas a pesquisa ainda está amadurecendo. Luminosidade, saturação e o conjunto da paleta também importam; afirmações sobre um tom específico devem ser testadas, não tratadas como regra.

Os significados das cores são iguais no mundo todo?

Muitos padrões são compartilhados entre países, mas há diferenças relacionadas à língua e à geografia. Reforce significados importantes com símbolos, texto ou posição.

Por que contraste é importante em jogos?

O contraste ajuda a distinguir elementos. Para pessoas com baixa visão, diferenças de luminosidade são especialmente úteis; depender apenas do tom pode tornar as peças difíceis de identificar.

Qual deve ser a taxa de contraste do texto em um jogo?

As Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG) recomendam, no nível AA, uma taxa de pelo menos 4,5:1 para texto comum e 3:1 para texto grande. Jogos não são obrigados a seguir esses valores, mas eles são uma referência prática e bem estabelecida.

Como o OutBrick ajuda pessoas daltônicas?

Cada peça e porta tem um símbolo correspondente, ativado por padrão, para que a identificação não dependa apenas da cor. Nosso guia sobre daltonismo nos jogos explica sua prevalência e outros recursos que ajudam.

APA 7

Referências

As referências permanecem no idioma original. Quando a fonte é um relato do próprio estúdio ou uma notícia, e não um estudo, o artigo deixa isso claro junto à afirmação.

  1. Elliot, A. J., & Maier, M. A. (2014). Color psychology: Effects of perceiving color on psychological functioning in humans. Annual Review of Psychology, 65, 95–120. doi.org/10.1146/annurev-psych-010213-115035 (abre em uma nova aba)
  2. Jonauskaite, D., Abu-Akel, A., Dael, N., Oberfeld, D., Abdel-Khalek, A. M., Al-Rasheed, A. S., Antonietti, J.-P., Bogushevskaya, V., Chamseddine, A., Chkonia, E., Corona, V., Fonseca-Pedrero, E., Griber, Y. A., Grimshaw, G., Hasan, A. A., Havelka, J., Hirnstein, M., Karlsson, B. S. A., Laurent, E., … Mohr, C. (2020). Universal patterns in color-emotion associations are further shaped by linguistic and geographic proximity. Psychological Science, 31(10), 1245–1260. doi.org/10.1177/0956797620948810 (abre em uma nova aba)
  3. Geslin, E., Jégou, L., & Beaudoin, D. (2016). How color properties can be used to elicit emotions in video games. International Journal of Computer Games Technology, 2016, 5182768. doi.org/10.1155/2016/5182768 (abre em uma nova aba)
  4. Hall, R. H., & Hanna, P. (2004). The impact of web page text-background colour combinations on readability, retention, aesthetics and behavioural intention. Behaviour & Information Technology, 23(3), 183–195. doi.org/10.1080/01449290410001669932 (abre em uma nova aba)
  5. Legge, G. E., Parish, D. H., Luebker, A., & Wurm, L. H. (1990). Psychophysics of reading. XI. Comparing color contrast and luminance contrast. Journal of the Optical Society of America A, 7(10), 2002–2010. doi.org/10.1364/josaa.7.002002 (abre em uma nova aba)

Escrito por

OutBrick Editorial Desk

A equipe editorial da OutBrick transforma pesquisas sobre jogadores, práticas de acessibilidade e aprendizados do desenvolvimento de jogos em textos úteis e fáceis de ler.

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