Pular para o conteúdo
Aprender brincando

Travou no quebra-cabeça? A ciência de fazer uma pausa

Veja o que pesquisas sobre incubação descobriram sobre deixar um desafio de lado e como fazer uma pausa que pode ajudar.

  • 6 min de leitura
  • Publicado em
Pessoa fazendo uma pausa para tomar chá antes de voltar a um quebra-cabeça de blocos deslizantes
Ilustração do blog

Quase todo mundo que monta quebra-cabeças já passou por isso: encara o tabuleiro até achar que não há solução, desiste, prepara um chá e, ao voltar, vê a resposta bem na frente. Psicólogos chamam a pausa de período de incubação e a melhora que às vezes vem depois de efeito de incubação. É uma das ideias mais antigas da psicologia da resolução de problemas; pesquisas atuais dizem que o efeito existe, embora seja menor e mais condicionado do que as histórias sugerem.

O que as evidências mostram

A revisão mais abrangente é uma meta-análise de 2009 de Ut Na Sio e Thomas Ormerod. Eles reuniram experimentos que comparavam pessoas que continuavam trabalhando em um problema com outras que o deixavam de lado por um tempo antes de tentar novamente. No conjunto, encontraram um efeito positivo de incubação. Ele variava: tarefas criativas e abertas, como pensar em novos usos para um tijolo, se beneficiavam mais do que desafios de insight com palavras ou imagens.

Três detalhes são úteis. Um período maior de preparação antes da pausa produzia um efeito maior: a incubação depende de ter se envolvido de verdade com o problema, não apenas de ter dado uma olhada. Preencher a pausa com uma tarefa exigente reduzia o efeito. E, em desafios de insight com palavras, uma atividade leve durante a pausa funcionava melhor do que descansar.

Também é importante reconhecer os limites da comparação com jogos de quebra-cabeça. Os desafios visuais desses estudos não são iguais a um tabuleiro de blocos deslizantes, e problemas de insight visual se beneficiaram menos que tarefas abertas. O efeito existe, mas ninguém o mediu em quebra-cabeças de organização por cores. Não dá para prometer que uma pausa sempre revelará a solução.

Fontes1Sio, U. N., & Ormerod, T. C. (2009). Does incubation enhance problem solving? A meta-analytic review. Psychological Bulletin, 135(1), 94–120.

Por que a pausa ajuda: deixar a ideia errada perder força

Uma explicação é quase mecânica. Steven Smith e Steven Blankenship deram às pessoas problemas de palavras com pistas enganosas, preparadas para levá-las pelo caminho errado. As pistas funcionaram: as pessoas ficaram presas à ideia e resolveram menos problemas. Ao tentar de novo depois de uma pausa, melhoraram mais do que quem tentou novamente na mesma hora. Nos experimentos, o efeito de incubação apareceu apenas quando a fixação havia sido induzida antes.

Isso combina com a sensação de travar em um tabuleiro. Depois de alguns minutos, você deixa de olhar para o quebra-cabeça e passa a olhar para o próprio plano. Esse plano pode ser a passagem que você tem certeza de que precisa abrir primeiro ou o bloco que acredita que deve sair por último. Uma pausa afrouxa essa ideia e, na volta, você enxerga melhor o tabuleiro como ele é. Por isso, às vezes um amigo bate o olho e encontra a jogada: ele ainda não criou seu plano e não está sendo enganado por ele.

Outros pesquisadores defendem que a mente também continua trabalhando no problema sem que percebamos. Em uma revisão de 2016, Ken Gilhooly apresenta evidências desse processamento inconsciente, incluindo estudos em que a pausa começa logo depois da apresentação do problema. As duas explicações podem coexistir; para quem está jogando, a recomendação prática é a mesma.

Fontes2Smith, S. M., & Blankenship, S. E. (1991). Incubation and the persistence of fixation in problem solving. The American Journal of Psychology, 104(1), 61–87.3Gilhooly, K. J. (2016). Incubation and intuition in creative problem solving. Frontiers in Psychology, 7, 1076.

Como fazer a pausa certa

O que você faz durante a pausa parece importar. Benjamin Baird, Jonathan Schooler e colegas deram às pessoas uma tarefa criativa e depois uma pausa de vários tipos: uma tarefa exigente, uma atividade leve que deixava a mente divagar, descanso ou nenhuma pausa. Só a atividade leve produziu melhora considerável em problemas que as pessoas já tinham visto, e esse grupo relatou mais devaneios. É um único estudo com uma tarefa criativa, mas o resultado combina com a meta-análise.

O sono pode ter um papel parecido em uma escala maior. Ullrich Wagner, Jan Born e colegas ensinaram às pessoas uma tarefa numérica com um atalho escondido. Depois de uma noite de sono, mais que o dobro descobriu o atalho em comparação com quem ficou acordado pelo mesmo período. O sono não ajudou quem não tinha praticado antes. O estudo tratava da descoberta de uma regra oculta, não de quebra-cabeças em geral, mas repete o padrão: primeiro se envolver, depois se afastar.

  • Trabalhe de verdade no tabuleiro antes de parar: a incubação precisa de algo para incubar.
  • Escolha uma atividade leve, como lavar a louça ou dar uma caminhada curta, em vez de outra tarefa mentalmente exigente.
  • Antes de sair, diga o que acha que o tabuleiro precisa. Assim, você sabe que plano está deixando de lado.
  • Na volta, releia o tabuleiro com atenção, usando uma rotina de análise em vez de retomar o plano antigo.

Fontes4Baird, B., Smallwood, J., Mrazek, M. D., Kam, J. W. Y., Franklin, M. S., & Schooler, J. W. (2012). Inspired by distraction: Mind wandering facilitates creative incubation. Psychological Science, 23(10), 1117–1122.5Wagner, U., Gais, S., Haider, H., Verleger, R., & Born, J. (2004). Sleep inspires insight. Nature, 427(6972), 352–355.

Como saber quando se afastar

Depois que você aprende a reconhecê-los, os sinais de que travou são fáceis de notar. Você repete a mesma jogada inicial, desfaz até chegar à mesma posição ou já não sabe dizer para que servem os próximos movimentos. É hora de parar: insistir costuma aprofundar o ciclo.

Voltar também exige prática. A tentação é continuar exatamente de onde parou, repetindo o mesmo começo na cabeça. Resista. Recomece pelo objetivo, como se o tabuleiro fosse novo, e teste deliberadamente a jogada que parecia errada. Se a fixação era o problema, a resposta muitas vezes está justamente na parte que você deixou de observar.

É mais fácil fazer uma pausa quando o jogo não pune você por isso. Nada no OutBrick é cronometrado; o limite de cada tabuleiro conta movimentos, não segundos. Você pode largar o celular sem uma contagem regressiva. O desafio diário permanece igual ao longo do dia e pode ser uma boa oportunidade para olhar de novo depois do almoço.

A pausa também serve para perceber se você realmente quer voltar. Algumas noites combinam com um quebra-cabeça, outras não; nosso texto sobre quando jogar e quando deixar o celular de lado aborda isso. E quando a resposta surge de repente, como um clarão, veja o momento eureca.

Perguntas e respostas

Algumas respostas úteis

Fazer uma pausa ajuda a resolver quebra-cabeças?

Muitas vezes, sim. Uma meta-análise encontrou um efeito positivo ao deixar um problema de lado, sobretudo depois de trabalhar nele por um bom tempo. Quebra-cabeças visuais se beneficiaram menos do que tarefas criativas abertas.

O que fazer durante uma pausa de um quebra-cabeça difícil?

Escolha algo leve que permita à mente divagar, como caminhar ou fazer uma tarefa simples. Nos estudos, atividades pouco exigentes tendiam a ajudar mais do que tarefas mentais difíceis e, em alguns casos, mais do que descansar.

Por que vejo a resposta assim que volto?

Uma possibilidade é que a pausa deixe uma ideia enganosa perder força. Experimentos que induziram as pessoas a seguir um caminho errado mostraram que tentar de novo depois de esperar ajudava mais do que insistir imediatamente.

Por quanto tempo devo me afastar de um quebra-cabeça?

Não há uma duração ideal comprovada. Os estudos usaram pausas de alguns minutos até uma noite de sono. O mais importante é já ter trabalhado no problema e fazer algo leve durante o intervalo.

APA 7

Referências

As referências permanecem no idioma original. Quando a fonte é um relato do próprio estúdio ou uma notícia, e não um estudo, o artigo deixa isso claro junto à afirmação.

  1. Sio, U. N., & Ormerod, T. C. (2009). Does incubation enhance problem solving? A meta-analytic review. Psychological Bulletin, 135(1), 94–120. doi.org/10.1037/a0014212 (abre em uma nova aba)
  2. Smith, S. M., & Blankenship, S. E. (1991). Incubation and the persistence of fixation in problem solving. The American Journal of Psychology, 104(1), 61–87. doi.org/10.2307/1422851 (abre em uma nova aba)
  3. Gilhooly, K. J. (2016). Incubation and intuition in creative problem solving. Frontiers in Psychology, 7, 1076. doi.org/10.3389/fpsyg.2016.01076 (abre em uma nova aba)
  4. Baird, B., Smallwood, J., Mrazek, M. D., Kam, J. W. Y., Franklin, M. S., & Schooler, J. W. (2012). Inspired by distraction: Mind wandering facilitates creative incubation. Psychological Science, 23(10), 1117–1122. doi.org/10.1177/0956797612446024 (abre em uma nova aba)
  5. Wagner, U., Gais, S., Haider, H., Verleger, R., & Born, J. (2004). Sleep inspires insight. Nature, 427(6972), 352–355. doi.org/10.1038/nature02223 (abre em uma nova aba)

Escrito por

OutBrick Editorial Desk

A equipe editorial da OutBrick transforma pesquisas sobre jogadores, práticas de acessibilidade e aprendizados do desenvolvimento de jogos em textos úteis e fáceis de ler.

Mais da redação